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domingo, 27 de maio de 2012

IVES OTA E O PRINCÍPIO DO PERDÃO

No dia 29 de Agosto de 1997, duas crianças brincavam em casa – um lugar considerado seguro -, assistidas pela babá. Dois policiais militares que trabalhavam como seguranças na loja de Masataka Ota, pai de um dos menores, invadiram a casa em que as crianças brincavam e seqüestraram Ives Ota, de apenas oito anos.
A ação terminou rápida (em vinte e quatro horas) e tragicamente: porque Ives reconhecera um dos delinqüentes, foi morto, em decorrência de dois tiros que lhe atingiram o rosto.
Seu pai, Masataka Ota, perdeu o chão. Batalhou, com a esposa, Keiko Ota, por leis mais duras, inclusive para a mudança do Código Penal, para a instituição da pena de prisão perpétua para os crimes hediondos. Coletou assinaturas para a aprovação de uma lei que obrigasse a prisão perpétua agrícola e conseguiu arrecadar mais de dois milhões de adesões, entregues ao Congresso Nacional em 13 de maio de 1999.
Entretanto, passados alguns anos, foi convidado pela Rede Globo para uma entrevista, frente a frente com um dos assassinos de seu filho. A princípio, pensara em vingança. Porém, enquanto planejava como esta se daria, pediu a Deus para que fosse o seu guia e lhe enviasse força, sabedoria e que o utilizasse como Seu instrumento.
Ao entrar na sala, foi acometido por uma crise de choro. Suas primeiras palavras não são de revanche, mas “Estou aqui para te perdoar”. O diálogo é encerrado pela indagação do pai-vítima: “Você tem uma filha?” Ante a estupefação do interlocutor, Ota completa: “Conheci sua filha no fórum. No dia de seu julgamento ela deveria ter mais ou menos cinco anos de idade. Desejo para a sua filha muitas alegrias e que seja muito feliz. Desejo para ela o que desejaria para meu próprio filho”.
Quando se deu conta de que sentia felicidade pelo que fazia, Masataka Ota percebeu que o verdadeiro homem é o que controla a si mesmo.
Hoje, Ota trabalha pelo social, no auxílio de mães que vivem a mesma situação. Podem elas encontrar, no Instituto Ives Ota, assistência psicológica gratuita, além de palestras sobre o perdão.
Segundo Masataka, a maior lição que teve na vida foi com seu filho Ives: “Estávamos indo passar a Páscoa com os avós dele e no sinal fechado veio uma criança e pediu dinheiro. Como era Páscoa, dei uma quantia. Ao ver o carro cheio de ovos de chocolate o menino perguntou se podia ganhar um. Imediatamente respondi que não. Mas meu filho pegou o chocolate e deu para o menino. Não satisfeito, perguntou se poderia dar para as outras crianças. Assim, alcançamos este ano de 2012 mais de treze mil ovos, sendo entregues em comunidades carentes” (fonte: Gazeta do Ipiranga, nº 2745, ano 54, de 18 de maio de 2012).
Fundou-se, dessa maneira, em setembro de 1997, o Movimento da Paz e Justiça Ives Ota, uma ONG sem sectarismo religioso, cujo objetivo é estender-se a todos os interessados numa sociedade pacífica, onde cada um se conscientize de que somente através do perdão a verdadeira paz se instala em sua vida.
O Sr. Masataka Ota, pai de Ives, em entrevista à Revista Veja de 5 de setembro de 2001, afirmou: “Acho que perdoar não é dizer: Soltem os assassinos de meu filho. Perdoar é tirar o ódio de dentro de você. Então, perdão é uma coisa e Justiça é outra. A justiça tem de ser cumprida.”
Hoje o Instituto Ives Ota, inspirado nos princípios preconizados pelo menino Ives, promove o respeito, defende a vida humana e tem por finalidade:
1. Amparar, assistir e orientar crianças, jovens e famílias vítimas da violência e carência social, necessitados e desprotegidos, sem distinção de raça, cor, credo, sexo, nacionalidade ou condição social.
2. Ser uma via de acesso para todos aqueles que necessitem de orientação pessoal e ajuda para seu desenvolvimento mental e comportamental, objetivando mostrar direções e alternativas para o progresso de sua vida pessoal, familiar, profissional, social e espiritual.
3. Promover ampla assistência psicológica e educacional, com foco nos cinco desejos básicos da criança, que são: ser amado, ser útil, ser elogiado, ser reconhecido e ser livre, para que ela construa uma auto-estima elevada e possa, pouco a pouco, tornar-se independente e um jovem que produz, colabora e ama o seu País.
Hoje, a família Ota tem como objetivo contribuir com os menos favorecidos material e espiritualmente, através do apoio às famílias vitimas da violência.
A entidade realiza uma série de ações sociais, como palestras semanais na sua sede, abordando temas como: família, drogas, violência, como buscar a paz interior e exterior através do sentimento de perdão, organizando atividades em escolas públicas; orientando os alunos com assuntos sobre relacionamento com os pais e como encarar a vida profissional; prostituição e aborto; e participa, ainda, de eventos regionais para a promoção da paz, além de atividades ligadas ao esporte, a reeducação das pessoas e a reestruturação das famílias.
Antes, a família Ota nunca imaginara que a violência poderia atingi-la – isso só aconteceria com as outras famílias. Hoje entendem que o problema do vizinho também é nosso.
A missão do movimento é a valorização da vida através do amor, da justiça e da paz, tendo como objetivos a reeducação e a valorização do ser humano, a conscientização da estrutura familiar e a importância do respeito ao próximo, criando uma sociedade mais harmoniosa.
No dia 10 de Outubro de 1999, foi inaugurada a Praça Ives Ota, localizada entre as ruas Dentista Barreto e Julio Colaço, na Vila Carrão, Zona Leste de São Paulo.

Mais informações: http://www.ivesota.org.br/

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ITANHAÉM, MEU PARAÍSO

ITANHAÉM, MEU PARAÍSO
Praia, sol, mar... rios, aves, plantas, flores, frutos... a natureza em todas as potencialidades. O belo, próximo. A segunda cidade mais antiga do Brasil, a Amazônia Paulista, minha paixão.

Quem sou eu

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Da capital, já morei entre verde e bichos, na lida com animais e plantas: anos de injeção, espinho de ouriço, berne, parto de égua e curva de nível, viveiros, mudas, onde encontrei tempo para lecionar inglês, alfabetizar adultos e ler livros, na solidão do mato. 

Paixões se sucederam e convivem até hoje: Contabilidade, Economia, Arquitetura (IMES, MACK), a chácara e, afinal, o Direito (FDSBC, cursos e pós graduações). No Judiciário desde 2005, planto, replanto, reciclo, quebro paredes, reconstruo, estudo, escrevo e poetizo, ao som de passarinhos, que cantam nossa liberdade.

Não sou da cidade, tampouco do campo. Aprendiz, tento captar o que a vida oferece, para que o amanhã seja melhor. Um mundo melhor, sempre.

Agora em uma cidade mágica, em uma casa mágica, na qual as coisas se transformam e ganham vida; mais e mais vida. Minha cidade-praia-paraíso, Itanhaém.

Nesta casa de espaços amplos e um belo quintal, que jamais é a mesma do dia anterior, do minuto anterior (pois a natureza cuida do renovar a cada instante o viço, as cores, flores, aromas e sabores) retomei o gosto pelo verde, por releituras de espaços e coisas. Nela planto o que seja bom de comer ou de ver (ou deixo plantado o que Deus me trouxe), colho, podo, cozinho os frutos da terra, preparo conservas e invento pratos de combinações inusitadas, planejo, crio, invento, pinto e bordo... sonho. As ideias brotam como os rebentos e a vida mostra-se viva, pulsante.

Aqui, em paz, retomo o fazer miniaturas, componho terrários que encantam, mensagens de carinho representadas em pequenas e delicadas obras. 

Muito prazer! Fique à vontade, passeie um pouco: questões de Direito, português, crônicas ("causos"), jardinagem e artesanato. Uma receita, uma experiência nova, um redescobrir. 

Pergunte, comente, critique, ok? A casa é sua e seu comentário será sempre bem-vindo.

Maria da Gloria Perez Delgado Sanches

MARQUINHOS, NOSSAS ROSAS ESTÃO AQUI: FICARAM LINDAS!

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