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domingo, 25 de maio de 2008

NEI FREDERICO CANO MARTINS: A ÚLTIMA GRANDE HOMENAGEM

No sábado, dia 10 de maio de 2008, assisti a mais um Encontro da nossa faculdade sobre o Direito do Trabalho.

Sexto evento do gênero, abarcou duas palestras. A primeira teve por tema a atualidade dos princípios da seguridade social; a segunda abordou os tratados internacionais e as convenções da OIT.

Em dado momento, minha amiga Renata observa que todos os componentes da mesa eram juízes. Juízes ou desembargadores.

Verifiquei, passando os olhos por todos os participantes, que a afirmativa estava correta: com exceção de nosso diretor, o professor decano e renomado advogado, Dr. Pimenta, todos os outros eram juízes.

O primeiro palestrante da tarde foi o Dr. Marcus Orione Gonçalves Correia. Dono de vasto currículo, é bastante apenas a citação de sua livre-docência pela Faculdade de Direito da USP e do seu trabalho como docente na graduação e pós-graduação da mesma faculdade.


Antes do eminente convidado iniciar sua fala, agradeceu à mesa e dirigiu-se, específica e especialmente ao nosso professor Nei. Disse que este era um herói, reconhecido pela classe dos magistrados.

Afirmou que o Direito tem uma tendência sazonal, por uma década pendendo na defesa do devedor; na década seguinte, inclina-se para a proteção do credor. Concluiu afirmando que o nosso professor, enquanto juiz do trabalho, lutou contra a maré, sozinho, em uma década em que os direitos dos trabalhadores eram relativizados, e que graças ao trabalho de homens como ele, todos temos hoje muito a agradecer. Empertigou-se e prestou a reverência com o próprio corpo, braços estendidos em direção ao nosso professor.

Terminada a saudação, asseverou que, prestadas as homenagens à casa, a quem devia, poderia então começar a falar.

Foi um dos quadros mais marcantes que vi em minha vida, que levarei como recordação como momento inesquecível.

Em nada o ato de respeito diminui a figura do nobre palestrante; antes, ao contrário, mais o enobrece e dignifica. O ato prestou-se, também, a que tomássemos, todos os presentes, nota de que a figura que temos ao lado, tão carinhosa, humilde e prestativa, é um grande homem que não se arvora nos louros e homenagens recebidos para sobrepujar-se, acima e sobre os que soletram as primeiras letras do Direito ou os seus companheiros na docência.

O quadro ficou. Tomei minhas notas, publiquei-as.

Na sexta-feira seguinte, ao chegar à faculdade, os portões estavam trancados. Um cartaz divulgava o falecimento de nosso professor.

Não fui sua aluna, posto que estudo à noite, e ele lecionava no período diurno. Não diretamente. Conheci-o participando de nossas semanas jurídicas, em que ele sempre se apresentou. Era uma figura inigualável, ímpar. Poeta, compositor, cantava e tocava em nossos eventos. O clima tornava-se de festa, e o auditório o acompanhava, em êxtase. Uma catarse coletiva.

Contatos mais tive quando surgiram dúvidas. Com a delicadeza de um amigo, retirava as nuvens.

Foi um professor também amado e respeitado pelos outros mestres. A humildade e a amizade sincera com que se dirigia aos colegas fizeram dele pessoa grata onde estivesse. Freqüentando a sala dos professores, jamais o vi deixar de cumprimentar, com delicadeza e afeto, quem quer que fosse.

À professora Elisabeth, dedicada por excelência, coube noticiar-me sobre o velório, onde tive a felicidade de saber, por sua sobrinha, que aquela figura que eu tinha há pouco como um professor jovial e alegre, teria completado sessenta e três anos na semana que seguiu o evento e no ano passado recebera uma comenda do Tribunal do Trabalho.

Ontem, dia 21 de maio, a Renata descreveu uma cena que a chocou. Chegando à faculdade, na mesma sexta feira em que anunciada a morte de nosso mestre, reparou em rapaz, postado à frente do cartaz. Lendo o aviso, fez-se branco. Percebia-se a sua emoção: estava, claramente, gelado, transtornado. Arfava. Naturalmente, emocionara-se ao saber da notícia.

Mas a decepção não tardou. Dirigiu-se a ela, desconsolado: “Eu tinha que entregar este livro na biblioteca, hoje!”. E foi-se, com o livro na mão.

Atribuo a atitude desrespeitosa não apenas ao descaso, mas aos princípios que têm regido nossa juventude. Mesmo que não fosse seu aluno e que não tivesse a dimensão de nossa perda, poderia ao menos revelar alguma curiosidade sobre a figura pela qual a faculdade revelava o seu pesar.

O professor Nei foi-se. Nunca mais o veremos em nossos eventos, que tornar-se-ão menores. Perdemos em alegria e encanto. Ficará a honra de termos abrigado um grande homem. Ainda que nem todos tenham, ainda, a qualidade de poder avaliar as presenças que os circundam, todos os dias. Ainda que nem todos tenham a felicidade de ter participado de um evento que nos proporcionasse captar a dimensão de almas guerreiras e generosas.

Ao fim, registro uma fala de nosso diretor, o Dr. Pimenta, sempre repetida, assim como também proferida neste último encontro: “Se um dia nos depararmos com o confronto entre o Direito e a Justiça, lutemos pela realização da Justiça”.

Tenho muito a agradecer ao nosso nobre palestrante, Marcus Orione, que proporcionou a última grande homenagem a um homem simples e digno e à professora Elisabeth, que tanto respeito e admiro.

Viveu simplesmente e amava o que fazia. Recebeu as honrarias em vida, o que na verdade é o que importa. É igualmente relevante que, tendo sido um lutador e recebido mostras de respeito de grandes homens, não tenha feito delas motivo para sobrelevar-se, acintosamente, ante os demais. Descanse em paz, meu professor Nei Frederico Cano Martins.
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ITANHAÉM, MEU PARAÍSO

ITANHAÉM, MEU PARAÍSO
Praia, sol, mar... rios, aves, plantas, flores, frutos... a natureza em todas as potencialidades. O belo, próximo. A segunda cidade mais antiga do Brasil, a Amazônia Paulista, minha paixão.

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Da capital, já morei entre verde e bichos, na lida com animais e plantas: anos de injeção, espinho de ouriço, berne, parto de égua e curva de nível, viveiros, mudas, onde encontrei tempo para lecionar inglês, alfabetizar adultos e ler livros, na solidão do mato. 

Paixões se sucederam e convivem até hoje: Contabilidade, Economia, Arquitetura (IMES, MACK), a chácara e, afinal, o Direito (FDSBC, cursos e pós graduações). No Judiciário desde 2005, planto, replanto, reciclo, quebro paredes, reconstruo, estudo, escrevo e poetizo, ao som de passarinhos, que cantam nossa liberdade.

Não sou da cidade, tampouco do campo. Aprendiz, tento captar o que a vida oferece, para que o amanhã seja melhor. Um mundo melhor, sempre.

Agora em uma cidade mágica, em uma casa mágica, na qual as coisas se transformam e ganham vida; mais e mais vida. Minha cidade-praia-paraíso, Itanhaém.

Nesta casa de espaços amplos e um belo quintal, que jamais é a mesma do dia anterior, do minuto anterior (pois a natureza cuida do renovar a cada instante o viço, as cores, flores, aromas e sabores) retomei o gosto pelo verde, por releituras de espaços e coisas. Nela planto o que seja bom de comer ou de ver (ou deixo plantado o que Deus me trouxe), colho, podo, cozinho os frutos da terra, preparo conservas e invento pratos de combinações inusitadas, planejo, crio, invento, pinto e bordo... sonho. As ideias brotam como os rebentos e a vida mostra-se viva, pulsante.

Aqui, em paz, retomo o fazer miniaturas, componho terrários que encantam, mensagens de carinho representadas em pequenas e delicadas obras. 

Muito prazer! Fique à vontade, passeie um pouco: questões de Direito, português, crônicas ("causos"), jardinagem e artesanato. Uma receita, uma experiência nova, um redescobrir. 

Pergunte, comente, critique, ok? A casa é sua e seu comentário será sempre bem-vindo.

Maria da Gloria Perez Delgado Sanches

MARQUINHOS, NOSSAS ROSAS ESTÃO AQUI: FICARAM LINDAS!

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